Só porque sim
“Professora, fiz mais um brinco!” – diz um jovem assaltante de 20 e poucos anos que acaba de reiniciar os estudos das novas oportunidades.
- Parabéns!! Já acabaste mais uma disciplina!!
- A sério professora?
- Sim… tens roubado muitos carros?
- Sim… ainda ontem roubei um carro, onde eu e os meus amigos fomos dar umas voltas!!
- Fantástico! Já tens o 12º ano e um computador! És o melhor aluno da turma!
Bem, este pequeno diálogo, como podem reparar, é uma caricatura do que se passa hoje em dia no ensino, e não só, em Portugal. Incentiva-se a preguiça e promove-se a mediocridade.
Já não há cultura de trabalho, de esforço. Dá-se rendimentos, abona-se quem faz filhos com esse fim, titula-se pessoas com 12ºs anos, só porque sim.
Agora, o grande problema é que TODA a gente sabe disto! Não acredito que haja alguém que não saiba e que não concorde com o que estou a falar. Sabe toda a gente e ninguém faz nada! Continua-se a votar no “Xuxialismo” e o eleitorado deve estar convencido que é com o “Zé Sócratas”, o maior mentiroso que pisou a Assembleia da República com o cargo de Primeiro-Ministro, que vamos sair deste ciclo mediocre. É que não revejo nele nenhuma competência! Juntou-se a uma juventude partidária desde muito cedo, andou por caminhos académicos muito pouco credíveis, intitula-se engenheiro, mas agarrou-se à política e dela não sai, como se fosse uma espécie de parasita.
É duro, meus amigos, é muito duro saber que Portugal, país que estará muito próximo da banca rota, com um défice incrivelmente alto, tem um Primeiro Ministro que só sabe falar em grandes obras, das quais a maioria delas não terá grande valor daqui a poucos anos mas… este senhor diz que sim e só porque sim. Usa uma espécie de palavras mágicas como “estimular a economia” ou “combater o desemprego”. Estas grandes obras, servem para servir uma matilha esfomeada por euros que se envolve por trás do governo unicamente para esse fim.
Voltando à educação, foi assinado ontem (11/01/2010) um “contracto de confiança” para o ensino superior. Pois bem, o contracto visa injectar dinheiro nas faculdades a troco de aumentar o número de qualificados (nomeadamente licenciaturas) e isto tudo só porque sim. Para que precisamos de abrir as portas a mais economistas, advogados, engenheiros se já existem tantos destes que não têm trabalho?
É razoável investir num sem número de cursos sem futuro por excesso de profissionais e ausência de mercado? É razoável ter falta de médicos em Portugal e deixar o curso de Medicina intocável?
Mais uma vez… a cultura de facilidade deste país entra outra vez em vigor. Tudo se faz em cima do joelho, facilitadamente…
Eu espero estar enganado, mas acho que este contracto é mais um pretexto para vermos o senhor primeiro ministro a falar na TV. Ele todas as semanas tem de aparecer para mostrar obra, seja ela qual for, tem de mostrar que está activo: os Cartões Únicos, as Novas Oportunidades, o Magalhães, este “contracto de confiança”, o casamento de pessoas do mesmo sexo. Não há nada feito com bom senso!! É certo que é preciso haver diálogos sobre muitos assuntos, mas este não é o momento indicado. O governo tem de preocupar-se unicamente com aquilo que pode mudar radicalmente o rumo do país. Não tenho qualquer tipo de dúvidas que se nada for feito para parar este período negro nas nossas finanças e na nossa economia, daqui a uma década, talvez duas… teremos um novo golpe de estado.
É preciso acabar com os incentivos à preguiça, acabar com a “tachada” vergonhosa que se tem visto, equilibrar as contas públicas e para isso só conheço uma fórmula: mais receitas, menos gastos e espero que neste campo não se vá pelo lado fácil dos impostos, exigir uma justiça eficaz, mas acima de tudo, é imperativo a toda a gente, seja qual for a sua cor política, bom senso.
(Nota Final: O diálogo inicial não tem intensões de atingir ninguém, apenas é um diálogo caricatural e como tal, é levado a um exagero.)
Muito bem! Parabéns!